Já que não deu certo, é melhor que fique assim.
A gente se afasta e cada um vai tocando a sua vida. A gente se afasta e depois de um tempo finge que superou, que não sente mais nada.
A gente se afasta e guarda tudo dentro do peito. Escondemos o sentimento dentro de um potinho e fazemos de conta que tudo aquilo não existe mais.
E aí a gente vai levando até quando suportar. Até quando um dos dois não mais aguentar.
A gente vai. Com a lembrança do verdadeiro amor que escapou por entre os dedos.
Com a certeza de que nunca mais sentiremos nada parecido. Sentindo o cheiro do perfume e lembrando o toque dos lábios.
A gente vai porque o orgulho não nos permite voltar atrás. Porque já nos machucamos demais.
A gente vai, mas a felicidade não. A gente vai. A gente foi. A saudade fica.
Fica nas lembranças daquela viagem e naquele fim de tarde. Fica no vazio do coração.
Fica aqui e fica aí também, mas a gente não precisa admitir.
A saudade é grande, o orgulho é maior ainda. Está tudo bem.
Neste mundo torto quase ninguém termina ficando com o grande amor da vida mesmo,
apesar de todos fingirem que sim. Quem somos nós para irmos contra?
As coisas são como elas são. E, de tanto fingir que está tudo bem, quem sabe um dia a gente acabe acreditando.
Então é isso. Agora a gente vai. Fingindo que está feliz e tentando esquecer o nosso potinho secreto. O problema é que quando se é feliz de verdade uma vez na vida, você já não mais sorrirá igual por qualquer coisa.
Desculpe por ter aberto nossas lembranças assim sem avisar.
Dessa vez a saudade venceu.
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