quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Do não ter fim



O que é a existencia?  É mais de uma vida,
são todas as vidas vividas por nós
no agora, no antes, também no depois.
 Ensinam os sábios que vidas viveram
ser una a existência, e querem provar;
que o hoje é é o ontem trazido do antes,
seguindo no tempo, buscando o depois.
Assim aprendendo, com quantos voltaram,
de vidas passadas as sábias lições, consigo
entender e ouso explicar.Amores vividos
já vem de outras vidas e seguem no tempo
que nunca tem fim.
Teu rosto, tua vóz, teu jeito de ser, teu corpo,
teus lábios, teus olhos também,
 teu porte galante,
são obras divinas que vi e guardei.
Se aos outros parece estar diferente
não muda quem ama aos olhos do amante
na eterna presença de quem não morreu.
E sinto. E recordo. E trago presente as vidas
passadas. Tão claras, tão hoje, que sinto
o perfume de quando encontrei.
É este amor que sinto, que sentes,,
não teme o finito, finito não é.
E tu, como eu, recordas do amante
fiel e constante que vem do passado e lá,
no futuro, contigo há de estar?
Não lembras? E importa, se eu lembro do
ontem, do hoje, do antes do antes e serei do depois?
Passamos angústias, vivemos esperas,
sentimos desejos.
Angústias vencemos. Esperas passaram.
Desejos matamos.
Surgiram barreiras que juntos saltamos.
Disseram que não. Firmamos que sim.
Zombaram dos sonhos. E sonhos vivemos, sem
medo do fim.
O fim não existe. E nem poderia, por fruto
de Deus ter fim nosso amor.
Quem ama faz par por toda existência,
 no agora , no antes, também no depois.
Amamos , sabemos, no início de tudo.
Beijamos em Roma. E Roma era o mundo.
Deitamos na posse, em leitos rendados,
macios e bordados dos tempos feudais.
Por tudo passamos. Eu rei, tu raínha.
Tu pobre, eu vassalo, amamos igual.
O amor que nos une, não é desta vida.
Não temo. Não temas, se dizem finito
qualquer outro amor. O nosso não é.
E quando eu partir não chora e aguarda,
bem antes que esperes, comigo estarás.
Se for o destino, que antes tu partas,
não penses na ida, com gosto de adeus.
Irei em seguida, tão pronto permita
quem fez o amor, quem tudo criou.
E assim viveremos por toda a existência,
em uma só vida, não cabe este amor.
É sempre infinita a obra de Deus!

Jorge Alberto M. Ribeiro
do livro Amor Causa e Consequência

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